Estátua de cera de Berlusconi morto gera polêmica na Itália

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POR JOSÉ RIBAMAR BESSA FREIRE
Na aldeia que eles vão construir, formada por cinco ocas – uma delas será uma oca eletrônica hight tech – mais de 400 índios que vivem no Brasil, discutirão com índios dos Estados Unidos, Bolívia, Peru, Canadá, Nicarágua e representantes de outros países temas como código florestal, demarcação de terras, reservas minerais, crédito de carbono, clima, usinas hidrelétricas, saberes tradicionais, direitos culturais e linguísticos. No final, produzirão um documento que será entregue à ONU no dia 17 de junho.
Embora a notícia contenha informações jornalísticas, O Globo insiste em folclorizar a figura do índio. Em pleno século XXI, o jornal estranha que índios usem iPhone, como se isso fosse algo inusitado. Desta forma, congela as culturas indígenas e reforça o preconceito que enfiaram na cabeça da maioria dos brasileiros de que essas culturas não podem mudar e se mudam deixam de ser "autênticas".
A imagem do índio "autêntico", reforçada pela escola e pela mídia, é a do índio nu ou de tanga, no meio da floresta, de arco e flecha, tal como foi visto por Pedro Alvares Cabral e descrito por Pero Vaz de Caminha, em 1.500. Essa imagem ficou congelada por mais de cinco séculos. Qualquer mudança nela provoca estranhamento.
Quando o índio não se enquadra nesta representação que dele se faz, surge logo reação como a esboçada pela pecuarista Katia Abreu, senadora pelo Tocantins (PSD, ex-DEM): "Não são mais índios". Ela, que batizou seus três filhos com os nomes de Irajá, Iratã e Iana, acha que o "índio de verdade" é o "índio de papel", da carta do Caminha, que viveu no passado, e não o "índio de carne e osso" que convive conosco, que está hoje no meio de nós.
Na realidade, trata-se de uma manobra interesseira. Destitui-se o índio de sua identidade com o objetivo de liberar as terras indígenas para o agronegócio. Já que a Constituição de 1988 garante aos índios o usufruto de suas terras – que são consideradas juridicamente propriedades da União – a forma de se apoderar delas é justamente negando-se a identidade indígena aos que hoje as ocupam. Se são ex-índios, então não têm direito à terra.
Criou-se, através dessa manobra, uma nova categoria até então desconhecida pela etnologia: a dos "ex-índios". Uma categoria tão absurda como se os índios tivessem congelado a imagem do português do século XVI, e considerassem o escritor José Saramago ou o jogador Cristiano Ronaldo como "ex-portugueses", porque eles não se vestem da mesma forma que Cabral, não falam e nem escrevem como Caminha.
O cotidiano de qualquer cidadão no planeta está marcado por elementos tecnológicos emprestados de outras culturas. A calça jeans ou o paletó e gravata que vestimos não foram inventados por brasileiro. A mesa e a cadeira na qual sentamos são móveis projetados na Mesopotâmia, no século VII a. C., daí passaram pelo Mediterrâneo onde sofreram modificações antes de chegarem a Portugal, que os trouxe para o Brasil.
A máquina fotográfica, a impressora, o computador, o telefone, a televisão, a energia elétrica, a água encanada, a construção de prédios com cimento e tijolo, toda a parafernália que faz parte do cotidiano de um jornal brasileiro como O Globo - nada disso tem suas raízes em solo brasileiro. No entanto, a identidade brasileira não é negada por causa disso. Assim, não se concede às culturas indígenas aquilo que se reivindica para si próprio: o direito de transitar por outras culturas e trocar com elas.
Foi o escritor mexicano Octávio Paz que escreveu com muita propriedade que "as civilizações não são fortalezas, mas encruzilhadas". Ninguém vive isolado, fechado entre muros. Historicamente, os povos em contato se influenciam mutuamente no campo da arte, da técnica, da ciência, da língua. Tudo aquilo que alguém produz de belo e de inteligente em uma cultura merece ser usufruído em qualquer parte do planeta.
Setores da mídia ainda acham que "índio quer apito". Daí o assombro do Globo, com o uso do iPhone pelos Kamayurá, equivalente ao dos americanos e japoneses se anunciassem como algo inusitado o uso que fazemos do computador ou da televisão: "Brasileiro quer tecnologia".
O jornal carioca, de circulação nacional, perdeu uma oportunidade singular de entrevistar integrantes do grupo do Alto Xingu, como Araku Aweti, 52 anos, ou Paulo Alrria Kamayurá, 42 anos, sobre as técnicas de construção das ocas. Eles são verdadeiros arquitetos e poderiam demonstrar que "índio tem tecnologia".
O antropólogo Darell Posey, que trabalhou com os Kayapó, escreveu: “Se o conhecimento do índio for levado a sério pela ciência moderna e incorporado aos programas de pesquisa e desenvolvimento, os índios serão valorizados pelo que são: povos engenhosos, inteligentes e práticos, que sobreviveram com sucesso por milhares de anos na Amazônia. Essa posição cria uma “ponte ideológica” entre culturas, que poderia permitir a participação dos povos indígenas, com o respeito e a estima que merecem, na construção de um Brasil moderno”.
Esses são os índios do século XXI. A mídia olha para eles, mas parece que não os vê.
José Ribamar Bessa Freire e professor, coordena o Programa de Estudos dos Povos Indígenas (UERJ) e pesquisa no Programa de Pós-Graduação em Memória Social (UNIRIO).
(Erinaldo Alves)
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Postado por Ensinando Artes Visuais às 12:08 0 comentários
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Algumas questões óbvias na vida, na sociedade e na arte, nunca são verbalizadas ou expressadas, por serem obviamente desagradáveis, ficando sempre em segundo plano. Apresento abaixo duas obras que abordam algumas dessas questões.

A obra “Enfim Bom” sugere uma reflexão obvia acerca a esperança e a busca do reconhecimento, nem que ele seja póstumo. Bom filho, bom pai, bom marido, bom irmão, bom amigo, bom artista. Tal reconhecimento obviamente não serve para nada, mas acontece com freqüência. Depois da morte, sempre procuram um lado positivo do defunto. Um artista morto na maioria das vezes é muito bom! Mas, fica a pergunta: Bom para quê? Bom para quem?

A Instalação “In Memoriam” utiliza um espaço que obviamente é público para uma finalidade não óbvia, o sepultamento, este pode acontecer em vida mesmo, quando no horizonte não se acha uma perspectiva. Alguns espaços somente são públicos para uma finalidade ou perfil de usuário, predeterminados por valores impostos pela sociedade. Sepultemos o obvio, ele só serve para ser questionado.

Fonte:
http://www.olholatino.com.br/6bienaldoesquisito/index.php?option=com_content&view=article&id=74
Estão muito provocativos os trabalho deAntonio Lima, aluno da Licenciatura em Artes Visuais - UFPB. Explora um tema complexo, mas sempre atual, a finitude humana, a morte.
Erinaldo Alves
Dicas muito interessantes propostas pela profa. Dra. Rosa Iavelberg (USP).
Abs.
Erinaldo
Segue vídeo com o grafite de Marquinhos Perfect, aluno da Licenciatura em Artes Visuais da UFPB. Vale a pena conhecer e prestigiar.
Erinaldo Alves
Ela não fala, não come, não se move. Mas pinta, estuda e ensina arte a crianças que nasceram com paralisia cerebral. Tudo isso usando o olhar, um leve movimento de queixo e um programa de computador desenvolvido especialmente para ela.
Nesta quarta, às 14h, a artista plástica Ana Amália Tavares Barbosa, 46, defende sua tese de doutorado em arte e educação no Museu de Arte Contemporânea da USP, iniciada quando já estava paralisada.
O estudo, intitulado "Além do Corpo", é fruto de três anos de trabalho com artes visuais desenvolvido com um grupo de seis crianças com lesões cerebrais, atendidas na Associação Nosso Sonho, onde Ana também leciona.
Todas as crianças usam cadeiras de rodas, não falam e têm dificuldade de enxergar. Assim como a professora.
| Marlene Bergamo/Folhapress | ||
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| A arte-educadora Ana Amália Barbosa, que há dez anos não fala, não anda e não se move. Ainda assim defenderá tese de doutorado |
Em 2 de julho de 2002, exatamente no dia da defesa da sua dissertação de mestrado na ECA (Escola de Comunicações e Artes), Ana Amália sofreu um AVC (Acidente Vascular Cerebral) no tronco cerebral e ficou tetraplégica, muda e disfágica (não consegue mastigar e engolir).
"Ela começou a passar mal quando uma das pessoas da banca não apareceu porque confundiu as datas. No hospital, foi perdendo os movimentos, começando pelas pernas", conta a mãe Ana Mae Barbosa, 75, professora aposentada da Faculdade de Educação da USP.
O pai, João Alexandre Costa Barbosa (morto em 2006), crítico literário e também professor aposentado da USP, acompanhava a filha.
Ele relatou à mulher as últimas palavras de Ana Amália. Ao escutar o médico perguntando se ela era muito nervosa, disparou: "Por que vocês médicos sempre acham que a culpa é do paciente?".
Como sequela, Ana Amália ficou com síndrome do encarceramento ("locked in"), retratada no filme "O Escafandro e a Borboleta" (2007).
"No primeiro ano, ela só dizia: 'eu quero morrer'. Depois, voltou a se apossar da vida", diz a mãe.
Foram 40 dias de UTI e quatro meses de internação até Ana Amália voltar para casa. A família conta com três enfermeiras, que se revezam 24 horas, duas fonoaudiólogas e duas fisioterapeutas.
Com a cognição e a memória preservadas, Ana se comunica por meio de um cartão com letras e de um programa de computador (veja quadro abaixo), desenvolvido pelas redes Sarah (Brasília) e Lucy Montoro (SP).
O atual desafio é fazer com que ela mastigue e engula a comida. Ana usa um cateter ligado ao estômago.
Ana Mae consulta a filha o tempo todo. "Quantos semestres você cursou psicologia na PUC como ouvinte? Dois, três, quatro." Ao ouvir quatro, Ana pisca os olhos. "Ela é a minha memória."
A terceira Ana da casa, Ana Lia, 11, tinha apenas um ano e oito meses quando a mãe sofreu o AVC. "Aos poucos, ela aprendeu a interpretar meus olhares", escreve, com os olhos, Ana Amália.
Os desenhos também foram (e continuam sendo) uma conexão entre as duas.
DOUTORADO
No projeto de doutorado, Ana Amália trabalhou, com a ajuda de assistentes, a percepção corporal dos alunos.
Uma das atividades foi desenhar o contorno dos corpos em papel, depois recortá-los e pintá-los. Por fim, construir cenas nas quais os corpos brincam. "Eles exploram o espaço já que não podem fazê-lo na vida real, pois estão presos à cadeira de roda."
Outra preocupação foi a inclusão cultural dos alunos. Ana Amália os levou a espaços como o Instituto Tomie Ohtake e o Jardim de Esculturas (Parque da Luz).
Pergunto qual é sua principal dificuldade. "Conviver com a invisibilidade."
Eis uma homenagem deste blog para Ana Amália Barbosa, grande professora de Artes, inteligentíssima e cheia de garra e perserverança. Não tinha dúvidas de que ela era capaz de superação.
Erinaldo Alves
Postado por Ensinando Artes Visuais às 11:37 0 comentários
Marcadores: Educação Inclusiva, Ensino das Artes Visuais: provocações
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Uma mulher de 21 anos chamada Valeria Lukyanova é a mais nova celebridade da internet depois que começou a postar fotos dela mesma como "a Barbie de verdade". De acordo com o site Daily Mail, ela afirma em seu blog que é, atualmente, a mulher de língua original russa mais famosa na internet.
As feições de Lukynova - que lembram a de uma boneca - geraram polêmica, nos últimos dias, entre usuários que especulam se ela passou por diversas cirurgias plásticas ou se o rosto é um trabalho construído somente com maquiagens. O Daily Mail diz que a garota é russa, mas outras fontes sugerem que ela seja da Ucrânia.
Em vídeos postados no YouTube, como uma animação de um canal de entretenimento de Taiwan, usuários se perguntam também se a figura dela é saudável. "Será que é saudável essa obsessão por parecer uma Barbie?", indaga um usuário. Outro fala: "Ela não só parece feia, como também ridícula", com o complemento de outro usuário: "uma mulher completamente perfeita é simplesmente entediante".
Segundo o Daily Mail, no entanto, há uma pergunta que ainda é válida: poderia Valeria ser uma" pegadinha" de Photoshop? Algumas fotos no Facebook dela sugerem que ela realmente existe, mas que não tem os traços tão semelhantes aos da boneca famosa - e tão artificiais.
As fotos de Valeria também são postadas no blog oficial da garota, no qual ela escreve sobre música e sobre meditação.
Erinaldo Alves
Postado por Ensinando Artes Visuais às 12:27 3 comentários
Marcadores: Arte e brinquedos, Cultura Visual, culturas juvenis, Ensino das Artes Visuais: provocações
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Este blog é um projeto de extensão reconhecido pelo DAV-UFPB, no dia 18.04.2008. É também um projeto de pesquisa, vinculado à linha "ensino de artes visuais com tecnologias contemporâneas", pertencente ao Grupo de Pesquisa em Ensino das Artes Visuais - DAV-UFPB. Está associado à área de concentração "ensino de artes Visuais", do Mestrado em Artes Visuais, aprovado em 2009.
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